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O AUTOMÓVEL ELÉCTRICO É O FUTURO.

Todas as suas vantagens e desvantagens.

19/11/2018

Automóvel eléctrico.

Com a possível proibição da matriculação de automóveis de combustão face ao ano 2040 e a consequente proibição a circular por estradas em 2050, abre-se um novo panorama para o automóvel eléctrico. São o futuro?

 

O projecto Lei de Mudança Climatológica e Transição Energética por parte da nossa vizinha Espanha prevê a descarbonização completa da economia espanhola para a segunda metade deste século. Dito texto propõe que, a partir do ano 2040, as marcas já não poderão matricular veículos que emitam a mais mínima partícula de dióxido de carbono. Isto inclui os automóveis de gasóleo, de gasolina, híbridos e de gás. E não só isso, se não que além do mais, 10 anos depois, em 2050, nenhum destes automóveis poderá circular por as estradas espanholas.

Perante este panorama, se se aprova esta lei, uma tecnologia em concreto vai ganhar um protagonismo absoluto: a dos automóveis eléctricos. Estas futuras proibições também abrem o leque aos automóveis de bateria de combustível, que utilizam hidrogénio para gerar a electricidade necessária para mover-se, e a outros com tecnologia, que como dissemos antes, não emitam nada de contaminação directa à atmosfera.

É realmente o automóvel eléctrico o futuro do automobilismo? Revisemos a suas vantagens e desvantagens no panorama actual. Muito tem que mudar este, se queremos pensar de verdade, em que os automóveis eléctricos sejam os únicos habilitados para circular por as nossas estradas.

 

AS VANTAGENS DO AUTOMÓVEL ELÉCTRICO

Zero emissões: Sem emissão contaminante procedente da sua mecânica durante a sua condução (nem dióxido de carbono CO2 nem óxidos de nitrogénio NoX, como nos automóveis de combustão), não há dúvida de que os veículos eléctricos são os mais limpos neste capítulo. A electricidade é a encargada de impulsar o automóvel, armazenada num pacote de baterias e que chega às rodas através de um ou vários motores eléctricos.

Custo por km inferior: Um motor eléctrico é muito mais eficiente com respeito a outro de combustão interna: 90 por cento contra um 30 por cento; quer dizer, as perdas na transmissão de energia desde o começo do processo até às rodas é muito mais baixo num automóvel eléctrico. O preço de percorrer 100 quilómetros é menos de metade num automóvel eléctrico face a um gasóleo ou gasolina (em função do tamanho da bateria, a tarifa de electricidade utilizada para carregar, etc.). Segundo a tarifa, o custo de cobrir esta centena de quilómetros com um sistema de carga lenta em casa, pode sair por apenas meio euro, o que se traduz em 1,50-2 euros para uma carga completa de bateria e poder cobrir uns 300-400 km, contra os 5-6 euros (como mínimo) de um automóvel a gasóleo e 7-8 euros com um a gasolina.

Estacionamento nas cidades: Nas cidades com estacionamento limitado, os veículos eléctricos não pagam, como por exemplo em Madrid, que para isso têm um autocolante azul de “Zero emissões” que lhes dá a Direcção Geral de Transito. Bem como também têm protocolos anti contaminação de acesso a zonas do centro da cidade aonde estes veículos eléctricos podem circular sem restrição nenhuma.

Benefícios fiscais: Também neste capítulo, a nossa vizinha tem grandes benefícios para estes veículos, nomeadamente nos impostos ISV (Imposto Sobre Veículos) e o IUC (Imposto Único de Circulação), para promover a compra deste tipo de automóveis.

Esta medida não é novidade na União Europeia, sendo por isso de esperar que se adopte aqui em Portugal para breve. E por isso deverá ser tomada em conta também.

Prazer da condução: A primeira vez que experimenta um automóvel eléctrico, o primeiro que mais chama à atenção é a sua aceleração. A sua mecânica eléctrica proporciona um binário instantâneo ao pisar o acelerador, sem mudanças (à parte da macha para a frente e marcha a trás). O silêncio e a sua suavidade são duas das suas características principais, elevando o conforto de andamento de um veículo que não perde nem uma milésima de sensações (excepto a sonora) com respeito aos veículos de combustão.

Manutenção mais económica: A presença de muito menos componentes mecânicos em comparação com um automóvel de combustão (embreagem, filtros, correia de distribuição), vai permitir-nos economizar até um 25 por cento na manutenção de um veículo eléctrico, em igualdade de potência e estimando uma vida útil de 200.000 quilómetros.

 

AS DESVANTAGENS DO AUTOMÓVEL ELÉCTRICO

Falta de infra-estruturas: O automóvel necessita de uma infra-estrutura mínima para carregar a suas baterias. A não ser que tenha uma casa com garagem própria, aonde poder ligar o seu automóvel quando deseje a uma tomada doméstica, hoje em dia é um problema que atira para trás – e muito – a potenciais compradores. Nos condomínios das nossas casas não encontramos demasiadas facilidades, e fora não temos tantas facilidades para encontrar pontos de carga.

Rede eléctrica: Não é só a falta de pontos de carga o problema, se não também a qualidade e o mau estado de muitos dos actuais postos de carga. E de cara ao futuro, necessita-se uma maior qualidade da rede eléctrica para dar lugar a todos os automóveis eléctricos que querem que cheguem às nossas estradas e atender as necessidades de carga de todos. Só como exemplo, a Comissão Europeia fala de 220.000 pontos de carga necessários só em Espanha para o ano de 2030.

Tempos de carga: Partindo da base que os pontos de carga rápida (aqueles que podem carregar um 80 por cento das baterias em menos de uma hora) representam um 3,36 por cento do total, temos que falar então de algo mais normal como 5-6 horas, como mínimo, que requer uma carga completa das baterias de automóvel eléctrico convencional.

Peso das baterias: Outro dos inconvenientes, na actualidade, dos automóveis eléctricos: as baterias, bem como todos os elementos ao redor destas para que trabalhem optimamente (computadores, processadores, protecções…), têm um peso médio de uns 250-300 kg, superando os 500 kg em alguns automóveis. Isso afecta ao comportamento do veículo e aumenta o consumo de energia em andamento. A chave está no desenvolvimento nos próximos anos, que melhorem substancialmente as densidades energéticas das baterias: enquanto em 2018 movemo-nos em termos de 0,280 kWh por kg de bateria de iões de lítio, em 2030 espera-se chegar a 0,350 kWh por kg.

Autonomia: É certo que a autonomia dos automóveis eléctricos vai a mais, mas ainda não é suficiente se queremos pensar em realizar viagens de longa distância sem necessidade de pararmos carregar constantemente as baterias, com a consequente perda de tempo. Ao dia de hoje, encontramos automóveis pequenos como o Citroen C-Zero ou o Smart Fortwo/Forfour ED, com autonomias de 150-160 km; outros, os que mais, chegam até aos 480-485 km, no caso do Jaguar i-Pace ou o Kia e-Niro. A média está à volta dos 300 quilómetros.

Preços: Cada vez mais, os preços vão-se aproximando mais aos seus equivalentes de combustão, mas continuam mais caros. Tudo depende, em grande medida, do tamanho da bateria: quanto maior seja e mais autonomia entregue em consonância, o preço será mais elevado. Algumas marcas, como a Volkswagen ou Renault, têm em mente lançar veículos eléctricos “baratos” para que esta tecnologia seja mais acessível a todo o mundo. Sem ajudas públicas, será muito difícil que os condutores se aventurem a comprar um automóvel eléctrico: um Smart Fortwo ED, por exemplo, situado na parte mais baixa do catálogo de preços, requere um desembolso inicial de uns 23.000 euros.

Climas extremos: As baterias dos automóveis eléctricos sofrem importantes variações quando se circula com climas extremos. Por um lado, implica a utilização excessiva de sistemas como o ar condicionado ou a sofage: mais gasto. Por outro, a autonomia pode reduzir-se, de repente, até um 30 por cento com temperaturas extremas no ambiente.

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